sexta-feira, 30 de abril de 2010

Facilitismo e necessidade de avisar

Do blogue do Expresso “Aparelho de Estado”
Como de costume, os realces são meus.


O facilitismo do Ministério da Educação
Alexandre Homem Cristo
29 de Abril de 2010


A decisão de acabar com as provas de recuperação é boa. Mas isto, dito assim, não quer dizer nada. Note-se que estas provas nasceram de uma medida do anterior Governo de Sócrates, cujo objectivo era evitar a retenção dos alunos.

Ou seja, as provas de recuperação foram, na verdade, a forma encontrada para mascarar e legitimar aquela que era a intenção última do Governo: não chumbar alunos.

Hoje, perante o manifesto fracasso das provas de recuperação , para além do desnecessário e vão encargo que constituíram para os professores, o Ministério deixa cair a máscara, mas não altera o rumo: não se pode chumbar por faltas.

É evidente que Portugal não é pioneiro neste modelo facilitista. A social promotion - é assim que se chama a coisa - ganhou, nos últimos 20 anos, adeptos um pouco por todo o lado, principalmente à esquerda. Contudo, mais recentemente (nos últimos 10 anos), tem sido consecutivamente posta em causa, sobretudo nos Estados com os mais elevados níveis de educação. Na Florida, por exemplo, provou-se que os alunos que não ficaram retidos devido à social promotion tiveram depois maus resultados escolares, alguns abandonando mesmo a escola. Também nos EUA, em Chicago, se constatou que a social promotion era ineficaz, mas ainda que a alternativa óbvia - a retenção dos alunos - o era igualmente, com a única diferença de tornar mais elevado o custo da educação por aluno (se bem se lembram, este foi um dos argumentos usados pela ex-ministra) .

Este é um dado importante para podermos olhar correctamente para o caso português: entre duas estratégias conhecidamente ineficazes, o Ministério da Educação escolheu a mais barata e aquela que, convenientemente, melhor resultava nas estatísticas europeias. Isto significa duas coisas:
(1) ao contrário do que se poderia pensar, a retenção dos alunos, só por si, não muda nada;
(2) no momento da decisão política, a ineficácia destas duas estratégias era conhecida, e a escolha de uma por parte do ME, por oposição à busca de uma solução real, diz-nos tudo sobre a (falta de) vontade do Governo em melhorar a Educação em Portugal.

Que alternativa, então? É aqui que o caso da Florida se torna particularmente interessante. A ruptura com a estratégia da social promotion fez-se através de um acompanhamento próximo dos alunos, numa estratégia de prevenção. Assim, monitorizando o progresso dos alunos através de dados estatísticos, foram identificados os alunos 'em risco' e foram tomadas medidas para o acompanhamento destes, de modo a evitar a sua retenção (que voltou a existir). Os resultados foram de tal modo positivos que a Florida logo se tornou um modelo internacional de reformismo na área da Educação.

Isto leva-nos a reflectir sobre a viabilidade de uma tal estratégia para Portugal. Pessoalmente, vejo muitas razões, para além das políticas, para que estas não sejam viáveis num curto ou médio prazo. A principal, parece-me, é a inexistência de dados estatísticos de qualidade sobre os alunos, que nos digam o seu perfil socioeconómico, que escolas frequentou, que notas obteve, e se melhorou ou piorou. Isto é, dados longitudinais, que acompanhem cada aluno individualmente ao longo do tempo. Qualquer intenção de reformar o sistema de Educação em Portugal deve começar por aqui.

Importam-se de avisar a ministra da Educação, sff
Inês Teotónio Pereira
28 de Abril de 2010

Daqui a dez anos os meninos que têm agora doze anos vão querer entrar no mercado de trabalho. Um mercado onde não haverá PTs, nem RENs, nem GALPs, nem institutos públicos, nem administração pública, nem subsídios de emprego, nem rendimentos mínimos, nem empréstimos ao consumo, que os valha. Um mercado a sério: difícil, competitivo e selectivo. Onde quem está bem preparado talvez consiga arranjar emprego, casa, carro, ir de férias e fazer compras no Pingo Doce, e onde quem não está preparado, está tramado.

Esses meninos estão agora, hoje, numa escola onde

não se chumba,
não se exige,
não premeia
e não ensina.

As gerações futuras, além de terem de carregar com a dívida nacional dos paizinhos e pagá-la, vão herdar uma educação miserável que os está a preparar para concorrer ao rendimento mínimo e não ao mercado de trabalho.

Safam-se os meninos que têm paizinhos com poder económico para poderem escolher as escolas dos filhos e comprar a sua educação. Os pobres, que se tramem. É mais uma conquista de Abril, pá.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Girão, Sócrates e Companhia

Agradeço a quem me puder esclarecer qual foi a multa que o … o... (acho que na altura era engenheiro técnico que se chamava) sr. José Sócrates teve que pagar por usar papel timbrado do Ministério do Ambiente para enviar um fax privado para a Universidade Independente e que nada tinha a ver com o funcionamento desse ministério. (verificar, por exemplo, aqui). É que uns médicos por terem enviado uma carta em papel timbrado do hospital em que trabalhavam, por acaso também a José Sócrates, sobre assuntos da profissão apanharam 32 mil euros de multa. Estou muito curioso em saber que multa pagou esse senhor!...


Fiz uma pesquisa sobre Fernando Girão (foto colhida em www.novaguarda.pt), o homem que mandou aplicar a multa, mesmo depois de o tribunal ter dito que os médicos não tinham feito nada de ilícito, antes pelo contrário, ele – Girão – é que era culpado de violação de correspondência.
Encontrei:


-que o homem é membro da Assembleia Municipal de Vila Nova de Foz Côa, eleito pelo PS de cuja Comissão Política Concelhia faz parte. Esta é uma grande surpresa não é?... (ih! ih! ih!)

-esta pérola que, sendo verdade o que diz o seu autor, mostra o homem a usar um meio público para uma reunião particular… Aqui vai a cópia de um comentário:

Quinta-feira, 21 Maio, 2009 às 15:14
António André
…”a reunião que tivemos com o Dr. Fernando Girão foi patrocinada pelo Toni, …”Esta é que eu não entendo!Então o senhor Toni patrocina particularmente a reunião e depois a mesma acontece numa instituição pública – Centro de Saúde do Sabugal.?Só na política!

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Será preciso dizer mais alguma coisa?...

terça-feira, 27 de abril de 2010

O PS matou os professores

Henrique Raposo escreveu no Expresso "O PS matou os professores" na sequência do novo estatuto do aluno.
O artigo está aqui.
Da sua caixa de comentários retirei alguns (apresentados soltos):

"Esta medida é mais um prego no caixão do Estado Social. A Esquerda politicamente correcta acha que esta medida é uma factor de justiça social. Está enganada. O que esta medida vai fazer é aprofundar a divisão classista ao nível do ensino. De um lado vamos ter cada vez mais depósitos públicos de meliantes. Nesses depósitos vai-se perder alguma juventude de valor que, por falta de dinheiro, vai ser aculturada por baixo, de forma a garantir-se que não sai de lá. Do outro vamos ter escolas privadas onde quem tem dinheiro manda os filhos estudar e quem não tem vai ter de começar a fazer o sacrificio."

"O único objectivo do PS é despachar os alunos o mais depressa possível. Se sabem alguma coisa ou não, o problema é deles! Depois os neoliberais são os outros."

"Quanto a mim, a medida anunciada servirá apenas para uma coisa: para matar definitivamente a Escola Pública em Portugal."

"Facilitar na Educação de um País é fazer desse País um caso cada vez mais perdido. Notícias que identificam hoje Portugal como um dos perigos maiores na zona Euro, juntamente com a Grécia e a Espanha, deviam dar-nos a todos muito que pensar. Especialmente aos responsáveis pela Educação. Promover a balda na rapaziada de agora é, seguramente, promover um grave aceleramento das desgraças que nos esperam"

"O PS não matou só os professores. Vamos todos perceber rapidamente que este PS vai deixar atrás de si uma "terra queimada". Do ponto de vista da educação, do ponto de vista social na sua generalidade, na economia, na capacidade regenerativa que a sociedade sempre tem tido para começar novos ciclos, recuperando dos maus momentos. Portugal está de rastos e com uma herança criminosa."

A "falinhas mansas" da ministra da educação (e não da Educação!) deu uma entrevista ao DN (pode ser lida aqui).

Já não sei se preferiria a má cara da D. Lurdes: ao menos já saberíamos com o que contar. Os sindicatos sentem-se, usando o termo de Henrique Granadeiro, "encornados". Acho que sim. Lá se foram os beijinhos para a fotografia. Mas cá para mim estou convencido que o problema foi o outro ter-se metido no namoro e não ter querido um "ménage à trois"...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O arguido e o seu estatuto

Creio ter sido Miguel Esteves Cardoso que um dia escreveu “ É bom e confortável ser arguido em Portugal”.

Subscrevo inteiramente esta opinião do ex-revolucionário escritor. O estatuto de arguido é uma espécie de matagal onde se pode esconder o ladrão até que a caça ao homem termine.

O grande problema em condenar está na existência ou inexistência de prova. Os Srs Juízes têm inúmeras vezes que absolver só porque a prova não se pôde fazer.

Pois bem, mas mesmo assim, persiste-se em não interrogar os arguidos, se eles se recusarem ao interrogatório judicial.

E a prova, que já era difícil, passa a partir daí, a ser impossível.

Vem esta reflexão a propósito do “boy” Rui Pedro Soares, que é arguido no caso TVI.
Esse rapaz encheu-se de emborcar vencimentos mensais astronómicos como administrador de uma empresa semi-estatal, tendo sido nomeado, para as suas funções, pelo poder socialista vigente.

Toda a gente já percebeu que o moço apenas quis fazer a vontade (expressa ou subentendida) a quem o nomeou. Só que para lá chegar é preciso a prova da confissão. Mas como o Boy Pedro não se quer confessar, bem podem os srs procuradores acusá-lo disto ou daquilo. Vai tudo ficar em águas de bacalhau, e Rui Pedro Soares, confortavelmente sentado na cadeira de arguido, apenas aguarda , de perna cruzada, a esperada sentença de absolvição.

Texto de Cunha Ribeiro

25 de Abril - para que a memória não desapareça.

sábado, 24 de abril de 2010

Filomena Martins

Não conhecia esta jornalista (ou passara por ela distraídamente...) Estou praticamente de acordo com tudo o que ela diz.

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1552300&seccao=Filomena Martins&tag=Opini%E3o - Em Foco

Em jeito de diário, fala de:

  • Sócrates em campanha
  • Os laicos e os católicos
  • Os juízes e os Sá Fernandes
  • As viagens dos deputados
  • Rui Pedro Soares

Ainda "A lei da escola segundo o eduquês...

(texto retirado de "De Rerum Natura"

Transcrevemos das cartas à Directora do "Público" de hoje:

A crónica de Guilherme Valente (20.04), "A lei da escola segundo o eduquês", é uma denúncia certeira do estado miserável a que a escola portuguesa chegou.

Mergulhada num clima de indisciplina e violência, onde os alunos mais fortes impõem a sua vontade pela força e os pais já não se coíbem de fazer esperas punitivas aos professores, a escola portuguesa tornou-se incapaz de transmitir conhecimentos e formar cidadãos.

Em vez disso, atirou para a ignorância, a desqualificação e a exclusão várias gerações.

Apesar dos muitos alertas, o discurso do Ministério da Educação continuou a ser o mesmo: está tudo bem, estamos a fazer grandes progressos.

Este discurso é complementado com as intervenções da esquerda que, perante os apelos ao reforço dos poderes dos professores, logo brada "Isto não se resolve com autoritarismos...", para de seguida propor as inevitáveis equipas multidisciplinares, tidas como panaceia universal para todos os problemas do ensino.Porém, depois fica tudo na mesma. Ou será que os rankings internacionais que tão mal classificam a escola portuguesa estão todos errados?

Por isso aplaudo a coragem do cronista ao criticar o prof. Daniel Sampaio, tido como o maior especialista em assuntos educativos e detentor das soluções para o problema. Porque, sem pôr em causa a competência profissional do ilustre psiquiatra, o prof. Daniel Sampaio também acaba por corroborar o discurso que foi retirando a autoridade aos professores e tolerou, quando não legitimou, comportamentos de vandalismo e violência.

Nos Estados Unidos, os adolescentes que há semanas atrás levaram uma colega ao suicídio foram acusados pelo Ministério Público.

Em Portugal, o mais importante é não haver sentimentos de culpa, afirmar que "isto não se resolve com autoritarismos" e, sobretudo, criar boas equipas multidisciplinares. Até que a próxima tragédia aconteça.

Quantos mais alunos, ou professores, terão de morrer para Portugal se comportar como um país civilizado?

João Cerqueira, Viana do Castelo

terça-feira, 20 de abril de 2010

O eyjafjallajokul

Imagens fabulosas do vulcão eyjafjallajökul (mas como é que se pronuncia correctamente isto?...) em

http://astropt.org/blog/2010/04/20/eyjafjallajokull-em-50-imagens-fabulosas/

A LEI DA ESCOLA SEGUNDO O EDUQUÊS

A LEI DA ESCOLA SEGUNDO O EDUQUÊS

Excertos de um texto de Guilherme Valente que acaba de sair no jornal "Público":

1. Contra o silêncio e a indiferença, é preciso dizer que as duas mortes agora acontecidas são extremos dramáticos, picos na violência que cresce em muitas das escolas públicas. Mas nem estes casos extremos obrigaram o eduquês a mudar o discurso:
No caso do docente de Sintra, a DREL terá colocado psicólogos na turma em causa «com medo de que haja um sentimento de culpa». E não deveria haver?

[...]

Nem mesmo a morte obriga o eduquês a pôr a mão na consciência. Ou será que estas mortes devem ser atribuídas à natureza?

2.

[...]

Mas vale a pena continuar a citar DS:
«É que há em todas as escolas comportamentos que podem ser considerados violentos, mas que não são bullying [cabe ao especialista, portanto, dizer se é dor a dor que deveras sinto – meu Deus!]: a escola reproduz a sociedade [a escola do eduquês sim, até agrava mesmo o pior da sociedade; a boa escola que queremos, pelo contrário, enfrentaria o que na sociedade não é desejável] e esta não é serena [serena?], por isso são frequentes as piadas, as troças e até um insulto passageiro ou um empurrão, sem que isso seja muito grave.»

Passaria por humor, não fosse experiência de medo de tantos jovens, a preocupação de tantos pais, o receio de tantos professores, relatados todos os dias pela comunicação social. Gostaria de saber em que escola estudaram os filhos de DS.

[...]

4. Estes textos chocantes, nas circunstâncias quase pornográficos, são, como tantos outros do mesmo teor, exemplos reveladores: o eduquês gosta da indisciplina, e, assim, vai encorajando a sua manifestação.

E assim vão fazendo o seu tricot teórico os mais ou menos discretos companheiros de jornada do eduquês, ajudando, voluntária ou ingenuamente, a impor a escola má que todos os dias atira para a ignorância, a desqualificação, o abandono e a exclusão gerações e gerações de crianças dos estratos sociais mais desfavorecidos, agravando assustadoramente as desigualdades, privando-as do ascensor cultural e social único que um bom ensino público - condição da sociedade civil - seria para elas.

[...]

Acolhidas e cultivadas na escola do eduquês, a ignorância e a violência explodem na sociedade. Mas não era isso o que o eduquês pretendia?

Guilherme Valente

texto c0mpleto em http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/lei-da-escola.html

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Assim é complicado!

Crónica "Olhares da UC" publicada no diário As Beiras, de 19 de Abril de 2010
(texto retirado de De Rerum Natura)

Portugal é um país pequeno e periférico, deprimido, que não se mobiliza e vive sem esperança. Os dias sucedem-se uns após outros e nada acontece. Os jornais, rádios e televisões repetem até à exaustão as mesmas notícias. Portugal é um país parado no tempo, moribundo, constituído por pessoas exaustas, que não acreditam no país e respectivos governantes, e que não perspectivam nenhum tipo de futuro.

E o problema é que isto é assim há muito tempo, há demasiado tempo. Somos um povo apático, rezingão e quezilento, que deixa as coisas andar e se acomoda a esta mediocridade que é a vida nacional.

[...]

É isso que pretende a mediocridade que deixamos que tomasse conta do país e das instituições, e que detesta o sucesso, a diferença, a atitude independente, a competência e a qualidade. Para se perpetuar no poder promove tudo o que é corrupção e amiguismo, pelo que as pessoas sentem-se subjugadas pensando que de pouco vale reclamar, discutir e exigir.

Só assim posso compreender a passividade com que encaramos o anúncio dos vencimentos dos CEO das empresas do PSI20. Por princípio não tenho nada a ver com os vencimentos dos outros. Isto é:
1. Não tenho inveja;
2. Não penso que são todos uns vigaristas;
3. Penso que se deve ganhar tendo por base o que se produz;
4. Não penso que para funções iguais deve existir vencimento igual, isto é, o vencimento tem de ter por base o mérito;
5. Penso que é necessário reter os melhores em Portugal.
No entanto, considero verdadeiramente escandalosos os vencimentos publicados dos gestores das empresas do PSI20 [...]

[...]

Segundo o Jornal de Negócios, a relação entre os vencimentos médios dos administradores e os salários médios dos trabalhadores em cada empresa do PSI20 é a seguinte:
Jerónimo Martins - 60,9 vezes
PT - 51,8
Sonae - 42,5
Zon - 28
Mota-Engil - 27,6
EDP - 27,1
Semapa - 20,9
Brisa - 18,8
Portucel - 16,7
Galp Energia - 16,1
Banco Espírito Santo - 14,5
BPI - 13
BCP - 11,2
Sonaecom - 8,1
REN - 6,7
Sonae Indústria - 6,4

Isto é inaceitável. Um escândalo. A demonstração de que somos um país sub-desenvolvido, sem princípios de solidariedade e onde não existe respeito por quem trabalha.Eu considero que num país JUSTO, SOLIDÁRIO e EVOLUÍDO, a relação máxima entre os salários médios dos administradores e os salários médios dos trabalhadores não pode ser superior a 10.

[...]

não consigo perceber como é que numa organização o sucesso pode ser somente de meia dúzia. O sucesso é de todos, desde o administrador de topo ao funcionário da limpeza. E todos têm de ganhar com o sucesso da organização, pois todos contribuem, dentro das suas funções, para os resultados obtidos. É uma questão de princípio.Escandalosos e incompreensíveis estes vencimentos.É necessário poder manter os melhores em Portugal. Mas não a qualquer preço, muito menos se para isso tivermos de ceder nos princípios e no dever de zelar por um desenvolvimento equilibrado e sustentável de Portugal.

De uma vez por todas: os vencimentos devem ser atribuídos pelo mérito, estar ligados aos resultados da organização e não deve existir uma relação superior a 10 entre a média dos salários dos administradores e a média dos salários dos trabalhadores.Levantar o país significa dar alento aos portugueses, com exemplos e com uma elite que seja uma referência e uma boa influência. Convencê-los de que vale a pena, que o mal que nos aflige tem solução e que Portugal não está condenado a definhar rumo à irrelevância se não tivermos medo, se formos fortes, decididos, atentos e exigentes.

J. Norberto Pires

"Pesetero"

de Rafael Barbosa, no Jornal de Notícias de hoje.

[...]

O Ministério Público acusou Rui Pedro Soares, o "golden boy" da PT, e outros dois comparsas menores, Américo Thomati e João Carlos Silva, de corrupção passiva, por terem negociado um contrato de 750 mil euros com um futebolista famoso, em troca do seu apoio à candidatura de José Sócrates nas últimas eleições legislativas.

O jogador cumpriu a sua parte do acordo, segundo os investigadores, quando se dispôs, no último dia de campanha, a tomar o pequeno-almoço com o cabeça-de-lista do PS.

Para usar a terminologia da rapaziada que tão facilmente confunde interesse público com interesse partidário, foi uma coisa um bocado pornográfica.

Os três gestores terão agora de responder pelo que fizeram em tribunal.

Mas há quem escape por entre os pingos de chuva:

em primeiro lugar o PS, principal beneficiário deste esquema de financiamente ilegal e imoral, cujos dirigentes vão assobiando para o lado como se nada tivessem que ver com o assunto;

depois, o próprio futebolista, que pelos vistos nem sequer corre o risco de ter de devolver o prémio de jogo indevidamente recebido.

Uma espécie de síntese do que foi, fora de campo, esse "pesetero" [a alcunha que lhe colocaram os adeptos do Barcelona quando saiu para o Real Madrid] chamado Luís Figo.

domingo, 18 de abril de 2010

Miguel Sousa Tavares

Ouvi, um destes dias, num programa de que já me não lembra o nome e a propósito de Miguel Sousa Tavares (MST), alguém recordar o episódio dos “inúteis mais bem pagos do país serem os professores” que, pelos vistos, ele não disse mas que, na altura, muita gente aceitou que ele pudesse ter dito tal era o desprezo que ele destilava publicamente pelos professores. Quem apanhou com as favas foi uma professora de Barcelos que provavelmente nem foi a autora do dito, mas o reproduziu na Internet.

Pois no tal programa era coitadinho do Miguel para aqui e para acolá. E veio-me à memória um escrito dele (este inquestionável - “O Público”, 08.04.2005) sobre os dias sem trabalho dos professores. Disse ele:

" se nos pusermos a fazer contas aos dias sem trabalho, chegamos a estes números extraordinários: 90 dias de férias de Verão, 15 de Páscoa, 15 de Natal, 7 de Carnaval, 7 de feriados, 104 fins-de-semana.Total:131 dias de aulas e 234 de folgas".

Quem escreveu isto ou é burro (o que é difícil de acreditar em MST!...) ou é mal-intencionado. Primeiro enganou-se a fazer as contas: 90+15+15+7+7+104 = 238 e não 234. Depois aldrabou o pessoal contando duas vezes os mesmos dias (por exemplo, contou duas vezes os sábados e domingos que calhavam em férias). Depois ainda, ignorou (e tinha obrigação de não ter ignorado ou o homem não é advogado, jornalista, etc. ?) que o trabalho dos professores não se esgota nos dias de aulas. Lembro-me de ter lido um esboço de resposta de MST em que (cito de cor) considerava os seus erros como a prova da ineficácia do sistema de ensino.

Na minha opinião o que MST escreveu é muito mais grave, porque distorce factos, do que a atribuição de um boato a uma pessoa (e eu não defendo a difusão de boatos!...) – foi aquela a infeliz visada, como poderiam ter sido dezenas de milhares de outras pessoas.

Uma aventura… no ministério da educação I

Paulo Guinote dixit

"Ele [Sócrates] sabe que meteu a cabeça e o corpo todo na guerra com os professores e na defesa de um modelo de avaliação que ele elogiou com a boca toda.

E é incapaz de recuar na arrogância e pesporrência que demonstrou, por muito errado que todos percebam que ele estava.

Este primeiro ciclo de avaliação do desempenho foi uma fantochada.

Fosse ele grande estadista (ou mesmo médio, ou mediozinho) e saberia corrigir a asneira.

Como está mais preocupado com a sua auto-imagem continuamos com este problema por resolver."

Eu concordo. A escritora Isabel deve estar a preparar o próximo livro: “Uma aventura… no ministério da educação”. Ou então: “Como fazer de conta que sou Ministra da Educação”.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A conjectura de Santos


HUMOR: Governo contrata matemático Grigory Perelman para demonstrar conjectura de Santos

Um génio matemático que ganhou o prémio de um milhão de dólares por demonstrar a conjectura de Poincaré (um problema matemático que permaneceu irresolúvel por mais de um século) irá demonstrar em Bruxelas que as medidas do PEC português são suficientes para reduzir o défice abaixo dos 3% até 2013.


Perelman deverá começar por demonstrar que o défice português é topologicamente equivalente a um superavit orçamental. Tal como uma esfera pode adquirir a forma de uma bolacha (mas não de um donut) através de deformações graduais contínuas sem necessidade de qualquer corte, também as despesas e as receitas são equivalentes no orçamento português.


A título de exemplo, basta uma mudança gradual contínua e os benefícios fiscais passam a aumentar a receita fiscal.


Já a divida pública portuguesa é topologicamente equivalente a uma hiperesfera tridimensional, ou seja a uma forma com todos os seus pontos a igual distância do seu centro num espaço com quatro dimensões (o que deverá ser o suficiente para baralhar FMI, BCE, OCDE e SCP).


Teixeira dos Santos também tentará convencer Perelman a fazer reverter o prémio de um milhão de dólares, que este manifestou intenção de recusar, para as receitas do Estado já em 2010.
David Marçal, no Inimigo Público

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pranto pelo dia de hoje

Não sei porquê, mas lembrei-me de um poema da grande Sophia (ainda bem que o filho Miguel não usa os apelidos dela...) que sei de cor há, há... há muitos anos. Mas está sempre actual.

Pranto pelo dia de hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruido
Por troças, por insídias, por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que não podem sequer ser bem descritas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

De volta...

Vários dias fora...

A procurar reequilibrar diversos (a cabeça, o corpo, o juízo, o futuro,...)

Deste tempo recentemente passado, algumas notas:

1) O miúdo de Mirandela morreu por ser pirado da cabeça. Esta conclusão da inspecção de educação sossega todos. Há um funcionário anónimo que vai sofrer as consequências. É bom para todos pensar que as escolas são fortalezas inexpugnáveis. Mas não são. A verdade oficial aí ficou. As minhas dúvidas também.

2) O professor de... de lá para os lados de Lisboa, acho que em Sintra, morreu por ser pirado da cabeça. Esta é a verdade conveniente. Convém inocentar os putos traquinas que lhe chateavam a cabeça. Com psicólogos e tudo. Não vá a canalha ficar traumatizada. (Falta um bom par de chapadas diria o meu falecido pai!...)

3) Há pedofilia na Igreja Católica. Sim e depois? Tem-se passado a ideia de que apenas e só na Igreja Católica há pedófilos. Não é verdade! Por exemplo, o recente caso de um cónego no Porto será um caso de homossexualidade e não de pedofilia. Jesus disse que quem estivesse livre de pecado atirasse a primeira pedra à mulher adúltera. Ninguém o fez. Os puritanos (os quê?...) que andam a arengar que a Igreja, o papa, os bispos, os padres,... esconderam os factos reais conhecidos e coisa e tal e fogueira com eles, etc. deveriam diversificar os seus alvos. Mas, por exemplo, alguém imagina, como alguns querem, que um eventual caso de pedofilia no governo deveria ser anunciado pelo primeiro-ministro na abertura dos telejornais. Haja juízo!...

4) Li, no "Sol", um artigo de Marcelo Rebelo de Sousa em que mostrava o que o anterior governo de Sócrates defendia em matéria de educação e o que defende o actual governo de Sócrates. Mas andaram a gozar connosco ou quê?! O que antes eram bandeiras dos professores e que a Lurdes e o Zé (dito assim que é para parecer um dueto de música pimba) repudiavam e os atiravam para as chamas do inferno são agora aprovações sublimes. Ide... ide... ide... (completar a gosto)

5) Um quarto da pena e cá fora! Porreiro! Ora deixa cá fazer as contas, por absurdo e sem ter tido o cuidado de verificar o que digo: um assalto de um milhão de euros perdidos "milagrosamente" na fuga, 8 anos de cadeia e 2 anos depois toca a gozar o dinheirinho. Bestial!

6) Conheço homossexuais que respeito. E não acho que "ser homossexual" seja um acto voluntário da vontade. Encontrei no ionline dois depoimentos interessantes, relacionados com a Igreja Católica, de que recomendo a leitura: http://www.ionline.pt/conteudo/54726-testemunhos-sou-gay-catolico-e-acredito-que-jesus-estaria-do-meu-lado

7) O PSD tem um novo líder. Não sei porquê, mas parece-me poder ser um novo sócrates alaranjado. A ver vamos.

Pronto. Voltei.