quinta-feira, 4 de abril de 2013

O último serviço de Carlos Cruz


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pelo seu pé, sem que a polícia o tenha ido buscar, Carlos Cruz apresentou-se ontem na prisão. Cumpriu o que prometera.

Carlos Cruz é culpado de um crime hediondo, a pedofilia.
 
Ainda que ele se diga inocente, se sinta inocente e seja mesmo inocente, o mecanismo que a nossa sociedade tem para definir quem é e não é culpado, com todas as possibilidades de defesa e de recurso, não concluiu por essa inocência e condenou-o.
 
A convicção que cada um de nós tem pouco conta.
 
Uma sociedade seria insuportável se as condenações e absolvições se fizessem sem regras, ao sabor de cada momento.
 
Por mim, várias vezes duvidei deste processo, mas saúdo inteiramente o facto de Carlos Cruz se ter apresentado na prisão para cumprir a pena a que foi inapelavelmente condenado.

Este é um serviço de Carlos Cruz ao país e à Justiça.
 
Porque nos recorda a vergonha, o desmando e - porque não utilizar esta palavra? - a lata de Isaltino Morais, de Macário Correia, de Vale e Azevedo e de tantos outros que tudo fazem para que a Justiça não se cumpra.
 
Em particular, os dois primeiros por serem políticos e com acrescida desonra para o primeiro, que começou a vida como magistrado do Ministério Público.

Nenhum deles se diz mais inocente do que Carlos Cruz se disse em todo o processo.
 
Mas ao entregar-se o ex-apresentador de TV submete-se à lei, como todos nos devemos submeter, mesmo quando a sentimos injusta.
 
Dura lex sed lex (a lei é dura, mas é a lei) diziam os romanos.
 
E esse princípio não pode ser colocado em causa numa sociedade democrática.

Uma coisa é lutar com todas as armas legais ao nosso alcance. Outra é, através de artimanhas e expedientes, colocar-se acima da lei.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Este blogue é gerido por Zé da Silva.
A partilha de ideias é bem vinda, mesmo que sejam muito diferentes das minhas. Má educação é que não.