sábado, 28 de julho de 2012

Emoções que o MEC gosta de despertar

 
 
O Ministério da Educação gosta de despertar emoções fortes. Nos psicólogos das escolas, nos professores do Estado Universitário, nos professores do quadro, nos professores contratados.
Prendas que o ministro, de incompetência afável, quer oferecer a estes profissionais à beira das férias.
Comecemos pelos últimos.
Cerca de quarenta mil professores contratados estão a ver-se às aranhas para concorrer por um lugar à sombra num qualquer estabelecimento de ensino no país. Uma "anomalia" na aplicação informática, reconhecida pela Direcção-Geral da Administração Escolar, impediu milhares de docentes de escolherem as preferências. O MEC teve de adiar o prazo para o término do concurso para 31 de Julho. Veremos se a "anomalia" não manda para casa logo à partida uma boa mão cheia de docentes.
Muitos professores do quadro viram-se, de repente sem horário, com as generosas medidas de aumento do número de alunos por turma e a revisão curricular que extingue algumas disciplinas. Estes professores vão a banhos sem saber o que lhes vai acontecer no próximo ano lectivo. Promessas, feitas pelo ministro, de que manterão o lugar nas escolas e que serão necessários mais professores estão registadas. Mas já vimos as nortadas varrerem tantas promessas vãs.



Cerca de 130 professores do estádio Universitário correm o risco de ir para o desemprego. A sua remuneração tem vindo a baixar de 15 para 8 ou 9 euros. Com a nova empresa que vai administrar o estádio passarão a receber ainda menos. Não sabemos se estarão preparados fisicamente para trabalhar apenas para aquecer.
A Ordem dos Psicólogos prevê a dispensa de cerca de 170 profissionais das escolas, uma vez que as direcções-regionais da Educação têm anunciado que os contratos não serão renovados. É uma excelente medida para exercitar um professor, de uma qualquer disciplina, a exercitar capacidades para as quais não terá formação. Está na altura de o MEC, correr com todos os psicólogos, e contratar o professor Bambo para estas tarefas mais especializadas com alunos.
As universidades públicas vão receber menos 15 milhões de euros no próximo ano lectivo. Os cortes deverão elevar a qualidade do ensino nas instituições do Estado. Sua excelência, o ministro, sempre pugnou pela excelência.
Não sei se alguém ainda dá de vaia ao ministro da Educação que sabe ostentar afabilidade.
Mas o primeiro-ministro foi vaiado em Cantanhede por umas centenas de pessoas desesperadas com o que se está a viver em Portugal. Começa a ser cumprimentado com cortesia em todo o país. Coisa de somenos.
Com a sensibilidade de australopiteco, ou de homo habilis, Passos diz que o governo não está a exigir "de mais" ao país. É verdade. Ordena extorsões, "de mais", aos mesmos de sempre. "De menos" aos que podem pagar e bem. Critérios rigorosos e de elementar justiça social.
Está na hora de o governo ir a banhos de água salgada. E por lá ficar a remar contra a maré que vai enchendo.
Portugal já está a arder. Prevê-se um Outono ainda mais quente. Emoções fortes que, imaginamos, irão acabar em bem. Com o défice reduzido a zero. E milhões de portugueses também.

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